Professora acusada de exibir imagens pornográficas culpa spywares

15/01/2007
Fonte: 
http://linhadefensiva.uol.com.br/2007/01/amero-adware/
Autor: 
Da redação
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

A professora Julie Amero (40) foi considerada culpada pela exibição de imagens pornográficas para menores por meio de um computador em uma escola no estado de Connecticut, nos EUA. Ela pode pegar até 40 anos de prisão no dia 2 março, data marcada para a divulgação da sentença. Amero diz que as imagens foram exibidas por spywares que estavam no sistema.

Amero conta que os pop-ups pornográficos que apareceram em seu computador no dia 19 de outubro de 2004, quando era professora substituta em uma turma de sétima série, “não iam emboraa”. O promotor do caso, David Smith, questionou por que Amero não desligou o computador, mas ela não teve resposta. Um aluno que testemunhou pela promotoria afirmou que a professora tentou desviar o rosto dele da tela do computador quando ele viu as imagens.

O detetive responsável pelo caso, Mark Lounsbury, admitiu que nenhuma análise para verificar a presença de spywares no computador foi realizada. Um especialista que examinou o equipamento a pedido defesa disse que um site sobre estilos de cabelos que foi acessado pode ter redirecionado Amero para as imagens pornográficas.

Membros da comunidade anti-spyware simpatizaram com a situação de Julie Amero. Infecções de spyware geralmente levam o internauta para sites indesejados e muitos deles possuem conteúdo pornográfico. Lounsbury disse que existem provas de que Amero “clicou em imagens pornográficass”, porém, de acordo com especialistas anti-spywares, os acessos gerados pelas infecções não podem ser diferenciados dos acessos manuais.

O presidente da companhia de segurança Sunbelt-Software, Alex Eckelberry, acha que a condenação pode ter sido injusta. “Será que se fez justiça aqui? Uma infestação de spyware pode encher o computador de pop-ups pornográficos e é um pouco desconfortante pensar que uma professora poderia receber uma pena dura por algo que pode ter ocorrido inocentementee”, escreve Eckelberry no blog da Sunbelt.

Um editor do site Computerworld, Preston Gralla, acredita que Amero é culpada. Ele publicou sua opinão em seu blog: “A escandalosa defesa [de Amero], de que spywares infestaram o computador e que ela não conseguiu controlá-los, não funcionou com o júri. É bom ver o sistema judiciário acertando algo sobre tecnologiaa”.

Todas as informações conhecidas sobre o caso foram publicadas pelo Norwich Bulletin, jornal local da cidade onde ocorreu o fato.

Em um editorial de opinião, o Norwich Bulletin diz que “Amero estava claramente errada ao acessar as imagens pornográficass” e que a “intenção era aparentee”. “Enquanto seus atos são repugnantes e merecedores de punição, nós esperamos que a sentença seja significantemente inferior à máxima de 40 anos, que alguns assassinos condenados não recebemm”, opina o jornal.

Eckelberry afirma estar convencido de que Amero, que não tinha ficha na polícia, é inocente. A Sunbelt irá disponibilizar seus especialistas gratuitamente durante o processo de apelação. Eles devem examinar o equipamento e verificar se o mesmo está ou não contaminado por spywares que poderiam exibir pop-ups pornográficos.

Atualização — Preston Gralla publicou novos comentários em seu blog. Gralla diz que, de acordo com os fatos apresentados por pessoas que comentaram seu texto anterior, sendo algumas inclusive vítimas de spyware, Amero pode ter sido injustiçada. “Não posso dizer que sei a verdade neste caso, porque não vi computador da professora. Mas se o computador estava realmente infestado de spyware e a escola não cuidou do o sistema de filtragem de conteúdo, então o que ocorreu foi uma injustiçaa”, escreve Gralla.