Crianças são violentadas e feridas dentro de casa

03/04/2009
Fonte: 
http://www.maracaju.news.com.br/geral/view.htm?id=115468&ca_id=15
Autor: 
Dourados Agora
Veículo de Imprensa: 
Veículo Nacional

A família e a própria casa deveriam ser a maior proteção que uma criança poderia ter contra os perigos do mundo.

Mas, muitas crianças com família e quatro paredes sólidas, em vez de contarem com o amor de adultos responsáveis, sofrem com o abuso sexual.

Elas são confrontadas com a violência psicológica para que, caladas, continuem a ser violadas.

Estima-se que, no Brasil, a cada dia, 165 crianças ou adolescentes sejam vítimas de abuso sexual. A grande maioria deles, dentro de casa.

As notificações vêm aumentando exponencialmente nos últimos anos graças, em boa parte, à internet. A popularização da rede mudou radicalmente tanto a prática desse tipo de violência, quanto o seu combate.

Ela estimulou a propaganda desse crime ao facilitar a troca de material pornográfico infantil e aproximar os aliciadores de suas vítimas potenciais, inocentemente expostas em sites de relacionamentos.

De acordo com a advogada Maíra de Paula Barreto, em sua dissertação de mestrado, se antes o abusador cultivava sua perversão na solidão, hoje tem a possibilidade de conectar-se com outros como ele, de sentir-se apoiado e legitimado em seus desejos.

“Até o ano passado era comum encontrar no Orkut comunidades com títulos tão ostensivos como Sou Pedófilo, dirigida àqueles que gostam mesmo é das meninas novinhas, sem rugas e com nenhuma experiência, que abrigava dezenas de participantes que faziam relatos de suas experiências e trocavam informações sobre suas relações com crianças com a naturalidade dos que compartilham receitas de doces”, conta a advogada.

De 2006 a 2008, a SaferNet Brasil, ONG destinada a combater o abuso e a exploração sexual na internet, recebeu denúncias sobre 109 mil páginas eletrônicas com conteúdo pornográfico infantil.

Em 2003, com a adoção do Disque-Denúncia, voltado para coibir esse tipo de crime contra crianças e adolescentes, o problema entrou na agenda do Governo Federal e passou a ser enfrentado com a ajuda das leis de combate ao turismo sexual.

O Congresso se dispôs a tratar do tema, com a instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Exploração Sexual.